#6 rumo à JMJ2023.“Levanta-te e mostra-te (Lc 6, 6-11)”.

Nos dias 1 a 5 do presente mês de abril, participei na Páscoa Hospitaleira. Foram dias de grande fraternidade, alegria, convívio e também de serviço junto dos nossos utentes nesta Casa Hospitaleira. Para mim, foram dias muito importantes, uma vez que já fui Jovem Hospitaleiro e, hoje, sigo os primeiros passos para ser irmão de São João de Deus.

Ao longo destes dias, tivemos várias atividades com os utentes, como, por exemplo, o jogo de futebol pela manhã, um momento muito importante e de grande alegria para eles. Para além disso, houve também momentos de música, que ajudaram bastante, sobretudo quando o cansaço do jogo já era visível.

Tivemos ainda algumas saídas com grupos de utentes, nomeadamente à quinta, com momentos de karaoke ou um belo passeio pelo centro hípico. Muitos maravilhavam-se ao ver os cavalos. Alguns faziam partilhas sinceras sobre a sua vida. Para os nossos utentes, a presença dos jovens é muito importante. Pode dizer-se que os jovens são bálsamos de esperança para aqueles que se encontram nos nossos centros assistenciais. Valorizar a sua presença é essencial para que também se sintam acolhidos numa Casa que o próprio São João de Deus dizia estar aberta a todos.

Para mim, o ponto alto desta Páscoa Hospitaleira foi a solene Missa do Lava-pés, onde foram lavados os pés de alguns utentes, de uma colaboradora e de uma jovem hospitaleira. A alegria no rosto daqueles que participaram era visível. Não foi apenas um gesto simbólico, mas um verdadeiro momento de reflexão. Uma oportunidade para recordar que uma Igreja, e uma Casa de Saúde da Ordem que não é capaz de se ajoelhar diante dos que sofrem, deixa de ser verdadeiramente hospitaleira.

Tivemos também um momento de cinema com pipocas, que, para os utentes, representa uma oportunidade de sair da rotina diária. Um momento de alegria e descontração. Creio que estes momentos são importantes para que os utentes se sintam amados e não um peso na vida dos outros.

A celebração do Enterro do Senhor, na Sexta-feira da Paixão, foi igualmente um momento marcante. Depois de um dia cheio de atividades, este encontro com o Senhor que deu a vida por cada um de nós ajudou-nos a redescobrir que, em cada utente que servimos, é o próprio Cristo que servimos.

No sábado de manhã, antes de regressarmos a casa, tivemos a oportunidade de percorrer os Caminhos de São João de Deus. Apesar do sol intenso e do cansaço visível, fomos conhecendo os primórdios da Ordem até à atualidade, com especial enfoque na nossa Província e nas suas casas espalhadas por Portugal.

Neste momento de avaliação, gostaria de destacar alguns aspetos que chamaram a minha atenção. Em primeiro lugar, quero agradecer a disponibilidade dos jovens, que deixaram as suas casas e rotinas para estarem com os nossos utentes. Foram dias em que senti que ainda há muitos jovens com sede de encontro com o outro.

Muitos dos presentes não os conhecia, mas ao longo dos dias foi-se criando uma amizade que só a hospitalidade pode explicar. Aprendi com cada um a ser um verdadeiro hospitaleiro, nos pequenos gestos do quotidiano: um bom dia, um abraço, um sorriso. São estes gestos simples que transformam o mundo.

(…)

Termino dizendo que gostei muito de participar na Páscoa Hospitaleira. Regresso com o coração cheio, mas também com um olhar atento e crítico, próprio de quem ama esta missão. (…)

Não pretendo generalizar, mas acredito que é importante recordar que as nossas Casas devem ser verdadeiros tabernáculos de esperança para todos.

Agradeço à JH e a todos os jovens presentes. Agradeço também aos colaboradores com quem me cruzei e com quem pude confirmar que ainda hoje é possível viver a hospitalidade, tal como nos foi deixada por São João de Deus.

Orivaldo Neves, JH 10