Márcia Silva

“Era uma vez…”

Crónica de Novembro de 2022

…uma promessa de que um Rei haveria de chegar. Não, não estou a falar do Rei Sebastião, que há-de chegar numa manhã de nevoeiro, todo vitorioso. Falo de um Rei, perdão, Do Rei. O Rei prometido pelo Senhor. O Nosso Rei. Mas primeiro há uma espera; sim, porque tudo o que é bom (e Deus é o Sumo Bem) leva o seu tempo. Esperemos, não sozinhos, mas com Deus Pai que espera igualmente, no Céu.

Viver bem uma espera, é o que melhor podemos fazer. Por exemplo (e com isto um péssimo exemplo), quando esperamos na fila do banco, ou na sala de espera de uma esteticista. O quê? Dizem vocês: “esta está “maluca” das ideias, está a comparar a espera do Senhor Deus à espera de uma consulta do dentista.” Pois, realmente o exemplo não é o melhor, e o meu segundo nome é mesmo “maluca”; contudo, apesar da minha miséria tenho um ponto a que quero chegar. E vou focar-me na tua dor de dentes.

Quando vamos ao dentista, algo não está bem. Encaminhamo-nos para o consultório na espera(nça) de conseguirmos resolver essa terrível dor de dentes. “É que o dente do “juízo” decidiu aparecer logo agora.” Mas ainda assim, chegas ao consultório e dizem-te para te sentares ou para marcares uma consulta que só se realiza dali a 25 dias. Como? Esperar? Será que @ médic@ não vê que eu estou mal, será que o Senhor Deus não vê que eu preciso Dele, na minha mísera vida e agora? Deus sabe que precisas Dele, e de uma solução médica para a dor de dentes, claro, mas Deus pede-te que esperes.

Esperar não tem de ser mau, às vezes é “só” para prepararmos melhor o nosso coração para ficar pronto para a vinda do Menino Deus. Imagina que o teu coração é a manjedoura onde Deus vai dormir e ser adorado…

Será que as palhinhas desta manjedoura chegam, estão limpas, quentes, confortáveis? A minha alma está “limpa”? O que tenho a oferecer de melhor a Deus?
Será que a madeira da manjedoura está podre, gasta? A minha boa vontade está gasta, não tenho mais para dar?
Será que os pregos que unem tudo estão enferrujados? Está, a minha oração, desajustada?

Não desanimes, vamos a tempo! Por isso Deus dá-nos este tempo, não porque Ele precise, mas porque nós, sim, precisamos!
Confia, Ele sabe o que é melhor para ti!

“Questões”

Crónica de Outubro de 2022

Às vezes é bom não saber a razão de tudo.

Bem tentamos muitas vezes perceber o “porquê” das coisas, do que nos rodeia, através da ciência,
da tentativa-erro e do estudo aprofundado de vários temas. A astronomia, por exemplo. O espaço.
Astros. Estrelas. Todo um vocabulário próprio da ciência em questão, que desconheço… Para quê?

Falo nisto pois quando tinha 13 anos, lembro-me de começar a pensar mais seriamente no que
queria ser quando crescesse. Gostava do espaço, esse quê de curioso e inabitado em mim ansiava
por respostas. Hoje com 24… sou artista plástica!

Para quê tentar saber de novos planetas para habitar, sedentos de curiosidade? Procurar ir mais e
mais longe…à procura do quê? O que descobrimos? Mais planetas impróprios a habitar…vazios…vazios como o nosso coração. Detetamos novos buracos negros que sugam até mesmo a nossa energia.

Esta energia que poderia ser usada para outras coisas: conhecer melhor a Cristo, que nos outros tem
verdadeiro rosto, que é verdadeira fonte que sacia, verdadeira “argamassa” que preenche e descansa… o nosso coração.
A questão passou a ser outra…não perguntes mais “porquê?” mas “Quem?”.

Procuras resposta para:
“Porque existe a doença?”
“Porque me furaram o pneu?”
“Porque me correu mal o dia?”

E surge-te no final um: “Que mal fiz eu a Deus?”. E se invertesses a questão, para um: “Mas afinal, que mal me fez Deus?”. E se começássemos a confiar mais do que a tentar perceber tudo?!
E se mudasses as perguntas para:
“Quem me curou ontem?”
“Quem me estende a mão hoje?”
“Quem me ama… sempre?”

Márcia Silva. Uma jovem de Arcos de Valdevez, onde também é catequista desde 2013. Desde cedo que dizia que queria andar na catequese “para sempre”.
Estudou Artes Plásticas em Viana do Castelo e é apaixonada pela Arte e pela Educação Artística. Uma Jhovem Hospitaleira que gosta de escrever, de ler biografias, de desenhar e de estudar na sua área, que gosta de viajar, tendo já realizado uma pequena experiência de voluntariado no Orfanato das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus em Kerala, na Índia.