HOSPITALIDADE – S. Bento Menni – e nós

A palavra HOSPITALIDADE soa bem – remete para acolhimento, gratuidade, casa aberta, disponibilidade… Ao pensar na sua força transformadora e “provocadora”, vem-me ao pensamento 3 dinamismos vividos pelo P. Menni e que configuram a nossa própria vivência: Hospitalidade como dom (1), que se acolhe, cuida (2) e se faz crescer (3)!

1 – Recordamos que a história do P. Menni é atravessada pela HOSPITALIDADE, desde o seio familiar: uma família numerosa, onde havia lugar para a aventura, a surpresa e também para a oração e abertura ao transcendente. O seu coração jovem e inquieto soube perscrutar os caminhos que Deus lhe abria e percorria, não se contentando com as suas capacidades, a fama, uma carreira de sucesso; mantendo-se num processo de procura, dedicou tempo a conhecer a vontade de Deus e a escutar o chamamento à amizade com Ele e a reconhecer o dom da HOSPITALIDADE assistindo os feridos de guerra, ao lado dos Irmãos de S. João de Deus – quantas oportunidades podem estar latentes em contextos adversos, como podem ser os que vivemos atualmente!

2 – Reconhecer o dom com que Deus nos agracia é descobrir em nós as sementes que nos desafiam a deixar germinar aquilo que em nós pode dar frutos, dar sabor e dar cor, à nossa vida e de quantos dela beneficiam! Encontrar o tesouro da vocação pessoal só lhe confere brilho quando é colocada ao serviço, quando nos coloca em dinâmica de resposta, de saída de si mesmo, colocando os meios para saborear a sua amplitude.

Para o P. Menni reconhecer o dom da vocação hospitaleira significou deixar a casa paterna e dedicar-se de coração a descobrir, a aprofundar o dom da HOSPITALIDADE, e a deixar-se moldar e identificar por ele, plenificando aquilo que poderia ser já uma predisposição para a viver! Receber um dom não deixa de dar trabalho, compromete, exige cuidados, e para crescer é necessário estar atento àquilo que gera em nós tristezas e alegrias! É exigente mas ao mesmo tempo é fonte de grande alegria! O P. Menni deixou-se tomar de tal forma por esta realidade a ponto de viver a Hospitalidade em todas as dimensões da sua vida: na relação com Deus, na relação com os doentes, na relação com os Irmãos e as Irmãs, nas muitas relações de amizade em Deus que criava por onde passava! Chega a expressar o desejo de que toda a sua vida estivesse consagrada a Deus, e que não houvesse nem uma pisquinha do seu ser que estivesse fora dessa dinâmica.

3 – A graça de Deus e dos seus dons é transbordante! Nenhum dom encerra a pessoa em si mesma! A Hospitalidade é fecunda e não pode ser guardada. A Hospitalidade por definição coloca-nos em relação, mas vivida como vocação, ou melhor, como carisma e, na vida do P. Menni, carisma fundacional, faz que esse dom irradie de tal forma que contagia outras pessoas: restaura a Ordem dos Irmãos, funda a Congregação das Irmãs, cria grande número de hospitais para responder às necessidades dos doentes… Ele próprio o expressa quando diz que o amor que experimenta não conhece limites e quisera voar de uma parte a outra para estender os benefícios deste dom, não só aos doentes, mas a outros que, tal como ele, possam viver a HOSPITALIDADE como modo de vida!

Estamos chamados a descobrir o dom de Deus na nossa vida, a deixarmo-nos transformar e a ser contagiosos da graça e da Hospitalidade – inspirados por S. Bento Menni!

                                                                                   Ir. Fernanda Oliveira